Jornal mineiro censura coluna de Fátima Oliveira sobre Patrus Ananias
publicado em 10 de julho de 2012 às 13:08
Beagá merece Patrus mais uma vez: o que é bom vale repetir
por
Fátima Oliveira
Médica –
fatimaoliveira@ig.com.br
Patrus é um prefeito inesquecível no imaginário popular
belo-horizontino. É raro o dia em que alguém não fale “No tempo do
Patrus”… “Se fosse Patrus o prefeito”… Conversas num pronto-socorro
entupido de gente em macas dias e dias a espera de um leito que teima em
não aparecer…
O que povo fala sobre Patrus prefeito, do que significou e fez
diferença em suas vidas, evidencia que ele “carrega o selo de mito
fundador, com poder de convencimento político que ainda arrebata
corações e mentes” e também revela um capital político inconteste
daquele que foi considerado o melhor gestor do SUS no Brasil, pois
reformatou a atenção à saúde em Beagá de tal modo que a incompetência e o
descompromisso de alguns que vieram depois não conseguiram destruir os
alicerces da atenção à saúde estabelecida na gestão Patrus: o lastro do
acesso universal como direito.
Eu disse em “Memória, compromisso e via-crúcis: do ‘Resgate’ ao Samu”
que Patrus é pai do Resgate e avô do Samu. “Lembra do ‘Resgate’? Vou
contar. É de onde foi parido o Samu 192 (marca Governo Lula, 2003).
Lembra de Belo Horizonte sem ‘Resgate’? Nem vale a pena.
Em 1995, o prefeito Patrus Ananias, do alto de sua incomensurável
sensatez humanista, entendeu que uma cidade do porte da nossa não
poderia prescindir de um serviço público móvel para as urgências médicas
e depender apenas do trabalho abnegado do Corpo de Bombeiros. Era
convicto que a ressurreição da atenção digna à saúde exigia desatar
aquele nó. Foi uma sacada de mestre! E colocou gente para correr atrás,
ver experiências mundiais. Não ficou contando tostão por tostão. Decidiu
ter uma política assim, custasse o que custasse”. Assim nasceu o
Resgate: “ideia pioneira no Brasil, modelo para o Samu 192 em âmbito
nacional”. (TEMPO, 02.03.2010).
Escrevi em “Equidade para as duas Beagás: mais para quem precisa de
mais” que “Sabemos que ser belo-horizontino é um estado mental” e
filosofava: “Nada mais instigante do que as eleições municipais para
desencadear em mim o pensar e pensar. Porém, o caráter sui generis de
alguns fatos da política mineira desafiam meus neurônios. Que bicho
surgirá do cruzamento do ‘jeito petista de governar’ com o ‘choque de
gestão’? Como duas vias tão díspares de administrar bens públicos
poderão ampliar a cidadania? Quando da escolha de um prefeito ou uma
prefeita, o que faz sentido é indagar o que queremos da futura
administração da cidade”. (O TEMPO, em 16.09 2008).
Mas “Aécio e Pimentel queriam apoiar um candidato que aprofundasse a
relação entre a prefeitura e o governo estadual. ‘O objetivo era dar um
caráter mais técnico e profissional’”, disse em recente entrevista o
atual prefeito (O TEMPO, 07.07.2012). Entenderam agora por que votei
nulo? Ai, meus sais! E desde quando ser prefeito é isso?
Escrevi em 2008, mas vale para 2012: “Digo, com esperanças renovadas,
que a gestão Patrus demonstrou em palavras e atos que priorizava a
busca de soluções para os problemas mais prementes da cidade, em áreas
nas quais as políticas sociais fazem a diferença, notadamente na
educação, saúde, saneamento básico, habitação e alimentação dignas e
saudáveis. Sobretudo, comprometida com as duas Beagás, considerando que o
caminho da cidadania implicava em diminuir o fosso que separa uma da
outra, adotando a equidade: mais para quem precisa mais”.
A manchete “Patrus Ananias dá novo rumo à eleição em BH” primou pela
precisão, pois o que Beagá precisa é de mais uma dose de Patrus. Vale
repetir!
NOTA DA AUTORA:
Artigo enviado ao jornal OTEMPO para publicação em minha coluna semanal na página de Opinião às terças, e não publicado!
Às 11:41, de 10/07, encontrei no jornal impresso, no espaço destinado
à minha coluna (OPINIÃO, página 20): “A médica Fátima Oliveira deixa de
escrever hoje, excepcionalmente, neste espaço”.
Escrevo em O TEMPO, semanalmente, desde 02 de abril de 2002, a minha primeira crônica foi “Muito prazer”;
1. Já tive uma crônica censurada, porém considerei que os argumentos
eram pertinentes e protetores, pois realmente escrevi algo que daria um
processo que de certeza eu perderia na Justiça: eram opiniões pessoais
minhas sobre uma figura forte do governo Aécio, na qual nenhuma pessoa
votou, com poder de mando em tudo;
2. Uma crônica foi rejeitada sob o argumento que o jornal tem por
princípio não publicar defesas de “luta armada” (eu não sabia, mas
respeitei o princípio), a referida crônica originalmente intitulada:
“Expropriar bens surrupiados é ato político de justiça de classe” foi
publicado no VIOMUNDO:
Fátima Oliveira e a campanha insidiosa, em 18.10.2010.
3. Hoje não foi publicada uma crônica na qual declaro voto a Patrus
Ananias (Beagá merece Patrus mais uma vez: o que é bom vale repetir),
num escrito em que cerca de 90% já foi publicado em O TEMPO em outros
artigos que mencionei no texto atual.
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Sobre Patrus Ananias e eleições municipais em BH, da autoria de Fátima Oliveira e publicado em O TEMPO:
Eqüidade para as duas Beagás: mais para quem precisa mais (16.09.2008)
O segundo turno na capital: “Nem mé, nem cabaça” (14.10.2008)
Memória, compromisso e via-crúcis: do “Resgate” ao Samu (02.03.2010)