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sábado, 8 de outubro de 2011

Band Ameaça Governo Legalmente constituído. É o Golpe do PIG(*)?

A figura de Joelmir Betting parece ser um idólatra da Ditadura assim como seus patrões. Falando em nome do grupo Bandeirantes Joelmir faz ameças veladas ao Governo e Ministros do Brasil. Governo este constituído legalmente pelo voto direito e democrático.

É bom lembrar que a mesma figura pitoresca quando é para criticar governos do PSDB o faz com toda reverência isso quando o faz.  A Band e muito menos essa figura pitoresca e saudosa da ditadura não fez nenhuma ameaça ao governo de Aécio/Anastasia que deixou que os Professores fizessem uma greve de 112 dias e não aceitava negociar com os Professores e a greve era para que o Governo da dupla Aécio/Anastasia cumprisse uma lei.

Este sim, são governos fora da lei e o Grupo Bandeirantes se quer indignou-se pelo fato de um governo não cumprir a lei. É necessário e urgente que o povo exija do Congresso um Marco Regulatório para a mídia. Esses grupos conseguem as Concessões Públicas para exercer uma atividade midiática e passam a se achar donos daquela concessão e a apenas defender os seus interesses e de seus aliados políticos.

Os grupos midiáticos se tornaram um partido político o PIG (Partido da Imprensa Golpista, Segundo PHA) que defendem seus interesses apoiando políticos que vão de encontro com suas idéias. São preconceituosos, racistas e possui um ódio de classe imensurável. O Povo não esqueceu os caso dos garis, o pseudo humoristas que em "comer" uma mulher e seu filho, entre tantas outras coisas.  Usam e abusam de um espaço do povo para tentar manipular este próprio povo e, com isso, conseguir seus objetivos obscuros.

Cuidado, Joelmir e grupo Band é vocês quem deve ter. O povo já não suporta mais esse jogo sujo e rasteiro de pessoas inescrupulosas que se sujeitam a ser capangas de seus patrões também inescrupulosos.

Assista ao vídeo e lembrem que estão ameaçando a nossa liberdade, a liberdade do povo para defender os interesses deles.


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Big Brother Brasil: A pedagogia do grande irmão platinado

Do Vermelho

Outro dia li um artigo de alguém criticando o que chamava de pseudo-esquerda que fica falando mal do BBB, mas que também dá sua espiadinha. E também li outras coisas de pessoas falando sobre o quanto há de baixaria no "show de realidade" da Globo. Fiquei por aí a matutar. E fui observar um pouco deste zoológico humano que a platinada oferece nas suas noites.

Por Elaine Tavares, no Observatório da Imprensa

Agora é importante salientar que a gente nem precisa assistir para saber tudo o que se passa. É só estar vivo para saber. As notícias estão no jornal, no ônibus, no elevador, em todos os lugares. Então, esse papo de que quem critica é hipócrita porque também vê não tem qualquer sentido. As coisas da indústria cultural nos são impostas de forma quase totalitária. É praticamente impossível fugir destes saberes. Mesmo no terminal, esperando o ônibus, lá está o anúncio luminoso onde buscamos o horário do busão, dando as "notícias" dos broders. É invasivo e feroz.

Mas enfim, sou um bicho televisivo e gosto de ficar feito uma couve em frente ao aparelho de TV analisando o que é que anda engravidando as gentes deste grande país que se alfabetiza por esta janelinha. Lá fiquei acompanhando alguns episódios do triste programa. Deveras, me causa espécie. Mas não falo pelo quê de promíscuo ou imoral que possa ter o "show", já que coisas do tipo das que se veem ali também são possíveis de ver na novela, nos filmes etc...

O que me apavora é capacidade de ser tão perverso e desestruturador de consciências. Está bem, as pessoas estão ali porque querem, elas mandam vídeos, se oferecem, morrem até para estar naquela casa em busca do que pensam ser seu lugar ao sol. Mas, ainda assim, é perverso demais o que os "inventores" fazem com aquelas tristes criaturas.

A promessa de sedução

Sempre pensei que a coisa nunca poderia ficar pior. Mas fica. Cada ano a violência fica maior. E o que me espanta é que não há gente a gritar contra isso. Agora inventaram a figura de um sabotador. Pois já não bastava colocar a possibilidade concreta de alguém (o espectador) eliminar outro (o broder?), o que obviamente inaugura uma possibilidade por demais perversa de se apertar um botão e destruir o sonho de alguém, com requintes de crueldade. Uma coisa de uma maldade abissal.

Então, o tal do sabotador é uma pessoa, do grupo, que precisa sabotar os seus companheiros para poder se safar. Inaugura-se assim mais uma instância da estúpida violência, a qual é parte intrínseca do "show". Vi a cara do rapazinho. Estava em completo desespero. Precisava sabotar seus amigos. E o fez. Em nome do milhão.

Depois, um outro, ao atender ao telefone que sempre ordena uma sequência de maldades, obrigou-se a mandar sua colega para uma solitária, coisa que, nas cadeias, é motivo de grandes lutas dos grupos de direitos humanos. O garoto disse o nome da sentenciada e seu rosto se cobriu de desespero. No dia em que ela saiu do castigo, enquanto os demais a abraçavam, ele se deixava cair, escorregando pela parede, chorando. Sabia, é claro, que aquela ação o colocava na mira da outra e na condição de um desgraçado que entrega seus colegas.

E assim vai o "grande irmão" propondo maldades e violências aos pobres sujeitos que ali entram em busca de um espaço na grande vitrine da vida. Confesso que a mim pouco se me dá se são homossexuais, trans, bi, héteros tarados, loucas, putas ou santas. Cada uma daquelas criaturas que ali está quebrando todas as regras da ética do bem viver é um pobre ser humano, perdido num mundo que exige da juventude bunda, músculo, peito e cabeça vazia. Não são eles os "imorais". São vítimas.

Querem mais do que as migalhas do banquete. Querem pegar com as unhas a promessa que o sistema capitalista traz na sua pedagogia da sedução: "Qualquer um pode neste mundo livre".

Violência explícita, sinistra e miserável

Tampouco me surpreende que um jornalista como Pedro Bial, dono de um texto refinado, esteja cumprindo o triste papel de fomentar a perda de todo o sentido ético que um ser humano pode ter. Ele, também buscando vencer nesse mundo que o capitalismo aponta como o melhor possível, fez a sua escolha. Optou por ser um sacerdote destes tempos vis. Um sacerdote muito bem pago.

O que me entristece é saber que essa pedagogia capitalista seguirá se fazendo todos os dias nas casas das gentes, que muitas vezes assistem ao programa porque simplesmente não têm outra opção.

O melhor sinal é o da platinada. Pega em qualquer lugar deste grande país. Há os que veem e nem gostam, mas ocorre que estas "lições" em que se eliminam pessoas, em que se traem os amigos, em que vale tudo, passam meio que por osmose. É a lavagem cerebral. É a violência extrema sendo praticada entre risos e apupos de "meus heróis". Tudo pela plata.

Enquanto isso, como bem já levantaram alguns blogueiros, a Globo, junto com as companhias telefônicas, lucra rios de dinheiro com as ligações que as pessoas fazem para eliminar os "irmãos". É galera, brother quer dizer irmão em inglês. E olha só o que se faz com um irmão? Essa é a "ética". Os empresários globais lambem seus bigodes.

Então, fazer a crítica a esse perverso programa não é coisa de pseudo-esquerda. Deve ser obrigação de qualquer um que pensa o país. A questão do "grande irmão" não é moral. É ética. Trata-se da consolidação, via repetição, de uma pedagogia, típica do capitalismo, que pretender cristalizar como verdade que, para que um seja feliz, outro tenha que ser "eliminado". O show da Globo é uma violência explícita, cruel, nefanda, sinistra e miserável. É coisa ruim, malcheirosa.

Penso que há outras formas de a gente se divertir, sem que para isso alguém tenha de se ferrar! Até mesmo os mais importantes cientistas mundiais já alardearam a verdade inconteste: vence quem coopera. Onde as pessoas, juntas, buscam o bem viver, ele vem...

O governo brasileiro é omisso

Por Simone Severo

A respeito de A pesquisadora brasileira que foi expulsa da Espanha:

Carta aberta de revolta

Minha irmã, Denise Severo, foi injustamente deportada da Espanha, em 28 de janeiro de 2011, e eu me sinto ultrajada como se a deportada fosse eu. Ou como se fosse você. Ou o seu filho. Uma dor sem explicação, um choro convulsivo difícil de suportar dentro do peito.

Nao é possível que o Brasil continue mantendo suas políticas diplomáticas em cima do muro do “isto foi um caso isolado”, quando todos os anos centenas de brasileiros são mandados de volta para casa como se fossem praga a ser evitada.  Isto não foi um caso isolado.  ACONTECE TODOS OS DIAS COM com vários brasileiros.

Não me convence a desculpa de que vários brasileiros vivendo ilegalmente na Espanha justifiquem a deportação de uma pessoa inocente porque ela nasceu no Brasil. Acaso é crime ser brasileiro?

Na ultima década, a Espanha obviamente esteve muito interessada no Brasil, como provam os bilhões de dólares investidos nas telefônicas, bancos e outros empreendimentos em solo brasileiro.

Como se não bastassem as milhares de reclamações anuais dos brasileiros com as contas telefônicas, bancárias e péssimo atendimento aos clientes, agora temos que bancar também a humilhação pública em solo alheio?

Um acontecimento marcante o suficiente,  frequente o suficiente, decepcionante o suficiente, desesperador o suficiente, traumatizante o suficiente para que a sociedade questione o preço que está pagando para o dinheiro externo passear na terra pátria.

Então é aceitável que muitos bilhões de dólares venham até o Brasil porque nos convém, mas não é aceitável que nosotros nos vamos a Espana?

Acredito que toda sociedade deva se mobilizar e fazer pressão para o Brasil descer de cima do muro e defender seus cidadãos. Até quando vamos nos calar?

O mundo inteiro vem ao Brasil e faz o que bem quiser, mas quando o bom cidadão resolve viajar para realizar um sonho de ver terras alheias, cortam-lhe as asas e lhe dizem que ele não vale nada, que volte para sua terrinha.

O Brasil devia exigir que a Espanha peça desculpas a Denise Severo e a todos os outros cidadãos que foram inescrupulosamente acusados de mentirosos e foram desrespeitados em seus direitos humanos.

É preciso discutir, sim, é preciso questionar, e porque não dizer EXIGIR que o governo nos defenda. Afinal, não é para isso que se vota? Para que todos tenhamos os mesmos direitos e para que o país nos defenda e olhe por nós?

O Brasil levou 50 anos lutando por democracia, por seu espaço no mundo e para ter voz. Que esta voz não se cale, que ninguém baixe a cabeca, porque ninguém tem direito de  brincar de polícia e ladrão com a vida alheia do cidadão de bem, muito menos para escolher quem é bandido.

Espanha: desculpe-se!

Brasil: mostra tua cara!

Simone Severo

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A pesquisadora que foi expulsa da Espanha


Do Brasília-Maranhão
Brasília(DF), 30/01/2011

Querid@s amig@s e companheir@s

Acho que muitos de vocês sabiam que eu estava saindo de férias junto com minha amiga Gracinha para a Espanha. Pois bem, planejamos tudo, compramos passagem, reservamos hotel e tudo mais. Porém, fomos em vôos separados. Depois de 15 horas de viagem EU fui INJUSTAMENTE DEPORTADA pela imigração da Espanha! Fiquei 15 horas PRESA numa sala da polícia federal sendo tratada como criminosa! Sem direito à telefonema, sem nenhuma informação sobre os motivos pelo qual estava detida e somente depois de 7 horas tive contato com um advogado e uma tradutora. Fui revistada fisicamente e revistaram e retiveram minha bolsa e minha bagagem de mão, tudo isso antes de ter um advogado.

Eles arbitrariamente decidiram que eu não entraria naquele país e fizeram de tudo para arranjar algo para me deportar. Eu tinha todos os documentos que comprovavam que eu tinha dinheiro de sobra para a quantidade de dias que iria ficar, tinha carta do Ministério da Cultura que comprovava que eu trabalho para um projeto do governo brasileiro, seguro viagem pago, reserva de hotel no nome da Gracinha (iríamos dividir um quarto, por isso constava só o nome dela), passagem de volta e até a escritura da minha casa própria em Florianópolis!

Primeiramente eles alegaram que meu cartão Travelmoney do Banco do Brasil não tinha valor nenhum pra eles porque não constava meu nome (o Banco do Brasil não imprime nome neste cartão, é política do banco). Só que eu tinha todos os extratos assinados pelo Banco do Brasil que comprovavam a compra de euros!!!! Mesmo assim eles disseram que não valia e me prenderam na sala. A assistente social da Polícia Federal só fazia era VENDER cartão telefônico para aqueles que quisessem ligar dos telefones públicos que havia nesta sala fechada. Então comprei ironicamente cartões da própria Polícia e liguei imediatamente pra Embaixada brasileira e pro Consulado do Brasil na Espanha.

Eles foram ótimos! Mas disseram que infelizmente pouco poderiam fazer porque a Polícia é arbritária mesmo e até eles ficam de mãos atadas. Tudo que podiam fazer eles fizeram, que foi enviar um fax reiterando que eu tinha dinheiro, dizendo que meu cartão era válido e cobrando informações. Pois bem, depois de mais não sei quantas horas presa, eles admitiram que meu cartão era válido. Como não tinham mais argumento, cavocaram algum.

Como a reserva do quarto duplo foi feita no nome da Gracinha, porque no site do hotel na internet pedia somente um nome, eles alegaram que eu não tinha reserva de hotel!!! A Polícia Federal mentiu na minha cara que haviam telefonado para o hotel e que o hotel havia dito que não havia nenhuma reserva no nome de Graça!!! Neste momento o advogado da própria Polícia que estava ali para me defender argumentou com a Polícia que havia reserva e telefonou do seu celular no viva voz novamente para o Hotel que confirmou que Graça já estava inclusive hospedada!!!  Sabem o que a Polícia disse diante deste telefonema em viva voz????? Disse que não valia nada para eles aquele telefonema, que eles já haviam telefonado e decidido pela minha deportação!!!!

Ou seja, eles realmente queriam arbitrariamente me deportar e ponto final!!! Disseram que eu seria deportada no vôo da meia noite e vinte e me prenderam novamente na sala. E para completar o absurdo fui levada para o avião escoltada como criminosa em carro blindado de polícia até dentro do avião. Meu passaporte foi entregue à tripulação e havia uma funcionária do aeroporto no Brasil me esperando com ele na mão para me escoltar até a imigração brasileira!!!!

Somente depois de passar na imigração brasileira tive meu passaporte devolvido! Mas não acabou….pois CARIMBARAM meu passaporte com um signo que provavelmente deve ser o de deportada, sendo que eu nem entrei no país!!! E para finalizar, é claro, que eles extraviaram a minha bagagem! Pois a Polícia não despachou minha mala!!!

Eles são arbitrários e preconceituosos mesmo! Não tem outra explicação e o próprio consulado disse isso pra mim! Havia cerca de 10 pessoas presas nesta situação e todas elas eram latinas e/ou negros da África!!!  Ou seja, é XENOFOBIA PURA!!!! Mas XENOFOBIA CONTRA LATINOS E NEGROS!!!! PURO PRECONCEITO!!!

Bem gente, é uma novela né….mas a novela só tá começando….porque eles escolheram a pessoa errada para isso!!! Vou recorrer ao Itamaraty, vou fazer uma queixa oficial na Embaixada da Espanha no Brasil, vou à Secretaria de Política para Mulheres e Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, vou a todos os órgãos que puder para lutar contra esta arbitrariedade!!! Preciso de contatos da mídia para divulgar essa situação absurda!!!

Quero pedir a todos vocês que divulguem em todas as suas redes sociais e que façamos uma campanha CONTRA O TRATAMENTO QUE A ESPANHA DÁ AOS ESTRAGEIROS LATINOS E NEGROS!!!

Obrigada pelo apoio de tod@s
Grande Abraço

Denise Severo
Coordenadora Pedagógica do Projeto Vidas Paralelas
Pesquisadora Associada do Núcleo de Estudos em Saúde Pública da UnB

domingo, 26 de dezembro de 2010

O Triste Fim de Um Derrotado

Fonte: Blog Cidadania

A tristeza do palhaço 



Assista, abaixo, ao comentário de Arnaldo Jabor no Jornal da Globo de 23 de dezembro de 2010. Em seguida comento.



Quem leu jornal ou revista, ouviu rádio, assistiu televisão ou navegou na internet nas últimas semanas de 2010, nos grandes veículos teve uma surpresa: foi informado de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria “triste” por deixar o poder.

Os colunistas pagos a peso de ouro para debochar do presidente, caluniá-lo e intrigá-lo com aliados inventaram uma tristeza que ele estaria sentindo por ter que deixar o cargo que não resiste à menor reflexão. A tese é tão absurda quanto todas as outras que essas pessoas tentaram furiosamente vender ao país desde a volta do país à normalidade democrática, em 1989.

Lula colheu tudo o que uma pessoa pode desejar nesta vida. Poucos seres humanos foram brindados com tanta sorte, por mais que ele tenha feito a própria sorte ao se portar como se portou – com dignidade, humildade, coragem e perseverança quase sobre-humanas.

Se não, vejamos: fez a carreira política mais exitosa da nossa história. Conseguiu tudo. Saiu da pobreza extrema e se tornou o maior sindicalista que o país já viu; criou aquele que hoje é o maior partido político brasileiro; seus dois mandatos, arrancados a fórceps contra os que gora o dizem “triste”, foram um sucesso que nem os inimigos negam; o mundo o reverencia; elegeu a própria sucessora…

E Lula está “triste” por deixar o poder, segundo esse indivíduo – e todos os outros paus-mandados dos barões da mídia – que, como cineasta, foi um fracasso, e como menino de recados da imprensa golpista, não passa de um triste palhaço.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O PIG não desiste: O Ódio leva à sua desmoralização

Folha e Globo mentem: havia uma guerra civil no Brasil durante a ditadura

Não é D. Judith Brito fantasiada. É D. Maria I, a Louca, rainha de Portugal que condenou Tiradentes à forca.
O que a Folha e Globo diriam do processo contra Tiradentes, feito a serviço de D. Maria, a Louca?

Folha e Globo, seguidas de Veja e Estadão fizeram "reporcagens" a partir do processo da ditadura contra Dilma Rousseff no STM (Superior Tribunal Militar).

Processos como estes exigem do repórter e do editor um mínimo de conhecimento da história e visão crítica da época para não escrever bobagens, principalmente usando de má-fé como fizeram os jornais.

Ignorar a realidade da época é o mesmo que publicar uma reportagem sobre o processo de D. Maria, a Louca, contra Tiradentes, e endossar as acusações tiranas de que Tiradentes seria um "traidor infame".

A má-fé dos dois jornais não está em publicar o conteúdo dos autos do STM, que pertencem à história, e podem ser estudados, para evitar novas tiranias, com a devida crítica (por exemplo, considerando sem valor, a princípio, informações obtidas sob tortura, sem que haja confirmação).

A má-fé está em confundir o leitor, principalmente aquele que não conhece o contexto da época, querendo atribuir caráter criminoso em ações de combate, de insurgência contra a tirania, de guerra de guerrilha (como tomada de armas do inimigo, expropriação à bancos), da mesma forma que a Corôa Portuguesa atribuiu como criminosa a insurgência política de Tiradentes.

Como a mentira tem pernas curtas, é fácil desmascarar essa imprensa corrupta: se as ações rebeldes fossem crimes comuns, porque Dilma e seus companheiros eram julgados por um Tribunal Militar, e não pela justiça civil comum?

À Justiça Militar compete processar e julgar os crimes militares, crimes de guerra. É a prova irrefutável de que a própria ditadura reconhecia haver uma guerra de guerrilha em curso, e que as ações da guerrilha eram de combate.

O Brasil viveu uma guerra civil durante a ditadura camuflada pela censura e pelo PIG

Não foi uma guerra civil ostensiva, foi guerra de guerrilha.

Guerrilha é quando um combate se trava entre forças desproporcionais. Sem poder bélico para enfrentar um exército regular, a guerrilha precisa ficar escondida, e só apontar a cabeça em ações típicas de emboscada e sabotagens (como tomada de armas em quartéis e de policiais, expropriação a bancos, ataques à alvos da ditadura), para depois se esconder de novo. A guerrilha não pode ter quartéis visíveis, nem campos de batalha previsíveis, senão é facilmente dizimada pela inferioridade numérica e bélica.

A guerrilha não visa necessariamente vencer na força bélica. Visa criar focos de resistência, inserindo o espírito de luta (mesmo não armado) e resistência na população, na nação.

Num país continental e urbano, como o Brasil, caso houvesse apoio popular, as ações armadas tenderiam a ser substituídas por greves e protestos de massa, criando um ambiente político tal, que faria o tirano bater em retirada do poder. Esse resultado acabou acontecendo, na abertura lenta e gradual, com as greves do ABC, com as manifestação das Direstas Já, culminando com  a redemocratização.

Esse mesmo tipo de ação guerrilheira - com poderio bélico inferior, mas apoio popular - levou Nelson Mandela à democracia racial sul-africana e levou à criação da República da Irlanda (exceto a Irlanda do Norte, que ainda faz parte do Reino Unido).

No Brasil, a ditadura montou um conjunto de dispositivos para não deixar a guerrilha atingir seu principal objetivo: a organização e mobilização popular.

Para isso era preciso esconder que havia uma guerra civil legítima em curso contra a ditadura. Além da censura, era preciso demonizar na propaganda noticiosa os guerrilheiros como "criminosos", para não despertarem empatia popular, não criar mártires, nem despertar admiração, nem ideais a serem seguidos.

Foi preciso fazer o mesmo com os guerrilheiros, que D. Maria, a louca, fez com Tiradentes e os demais inconfidentes.

E lá estavam as velhas conhecidas familias Marinho, Frias, Mesquita e Civita, da velha mídia, engajadas em demonizar os guerrilheiros, em entusiasmados editorais, colunas e na deturpação do noticiário. Hoje, coerentes com o passado em prol da ditadura, fazem o mesmo ao colocaram suas mãos sujas no processo de Dilma, vilipendiando a verdade.

Além do aparelho repressivo policial-militar e para-militar, a ditadura criou Atos Institucionais e inseriu na lei de segurança nacional, carta branca para prender e arrebentar qualquer um que insurgisse contra a ditadura, seja sem arma, seja com armas.

O Ato Institucional nº 6, transformou o STM (Supremo Tribunal Militar) em um tribunal de exceção, onde passaram a ser processados todos enquadrados na Lei de Segurança Nacional, inclusive os civis. Foi o reconhecimento pela ditadura de que estava travando uma guerra civil para se manter no poder.

Qualquer atividade civil de oposição de esquerda (ou que "ameaçasse" o regime), como críticas ao presidente e às autoridades, panfletagem, organização e reunião popular, greve, associação de funcionários "desautorizadas", eram punidas, desde a prisão até a pena de morte, pela Lei de Segurança Nacional vigente na época, em processos na Justiça Militar.

Nesse contexto, de proibição à qualquer atividade real de oposição, é que só restou a resitência armada. Qualquer outra atividade de protesto que trabalhadores, estudantes e movimentos sociais fazem livremente hoje, com a maior naturalidade; qualquer coluna de jornal alternativo ou panfleto com críticas contundentes, dava pena de prisão na época. Até discussão de boteco ou na esquina, se alguém falasse mal do ditador ou da ditadura, ia em cana.

A guerrilha, por natureza, quase sempre acontece em movimentos de indenpência, de libertação nacional, ou contra ditaduras, quando não há liberdade de expressão, onde é proibido disputar o poder no voto livre. É a luta do oprimido contra o opressor.

Escalada da Ditadura levou à proliferação da luta armada

No Brasil, o golpe de 1964 não teve reação à altura, nem mesmo desarmada, por que foi uma ditadura implantada em etapas. Numa primeira hora, chegou a ser como um golpe pontual com "crise política e militar". Centristas do PSD, consumado o afastamento de Jango, tentaram fazer um acerto com os militares para reconduzir à normalidade institucional.

A constituição dizia que, faltando menos de 2 anos para o fim do mandato, o Congresso Nacional elegeria o novo presidente. Em acordo, JK e todo o PSD apoioaram a eleição de Castelo Branco no Congresso Nacional, inclusive emprestando como vice um hábil articulador político do PSD (o mineiro José Maria Alckmin). A derrubada de Jango foi um golpe, mas, a rigor, a eleição de Castelo Branco, até ali, retomava o caminho constitucional. O acordo previa que Castelo cumpriria o período do mandato de Jango até o fim, como determinava a Constituição, seguraria os militares da chamada linha dura nos quartéis, e cumpriria o calandário eleitoral, havendo eleições diretas para presidente em 1965, como previa a ordem institucional.

Uma vez eleito, Castelo Branco descumpriu os acordos, vieram golpes dentro do golpe (o próprio JK foi cassado em seguida, pelo próprio Castelo), cada vez mais afastando o caminho da redemocratização e transformando o Brasil numa ditadura cada vez mais arbitrária e massacrando a oposição.

Entre 1965 a 1968 movimentos civis, como dos estudantes e trabalhadores se reorganizaram em resistência popular (desarmada), nas ruas. Faziam cada vez mais protestos, greves e passeatas. Trabalhadores começavam a voltar a fazer greves, duramente reprimidas, com prisões e intervenções nos sindicatos.

O AI-5, em dezembro de 1968, fechou as portas para qualquer atividade de oposição. A falta de resistência em 1964, que havia levado à ditadura cada vez mais atroz, explodiu em 1968, com milhares de jovens (de todas as idades) resolvendo resistir, aderindo à unica forma de resistência que ainda parecia viável: a luta armada.

Dilma não participou diretamente de ações armadas, mas não há nenhum demérito em quem participou, pelo contrário. Foi um ato voluntário, de sacrifício e bravura, como o de qualquer soldado que combate em uma guerra. Muitos sem qualquer preparo, nem aptidão militar, acabaram sacrificando a própria vida ou em confronto com um exército e polícia bem preparada, ou torturados e executados nas masmorras da ditadura.

domingo, 21 de novembro de 2010

Carta ao Prates

Carta ao Prates (o ódio, versão RBS de S. C. ) 

Publicado em 21/11/2010


São ex-miseráveis e ex-desgraçados

Por sugestão do amigo  navegante Stanley Burburinho, o reparador de iniquidades (quem será Stanley Burburinho ?), o Conversa Afiada reproduz carta do Plínio ao Prates:

Caro Sr. Luiz Carlos Prates,

Me chamo Plínio, sou professor de História e, como tantos outros das camadas mais baixas da sociedade, consegui comprar um automóvel nos últimos anos devido à facilidade de crédito implantado pelo governo Lula. Assim como tantos outros, adquiri um carro popular, já com 4 anos de uso e sem qualquer acessório que produza maior conforto ou coisa do tipo.

Porém, gostaria de relatar algo que o Sr. provavelmente não sabe, ou tenta evitar saber, ao expor seus comentários ao vivo na TV. Da mesma forma que o governo do presidente Lula me permitiu adquirir um carro popular, também me permitiu continuar meus estudos. Durante este governo, graças aos investimentos em educação e apoio à pesquisa, foi possível a uma pessoa como eu, vinda de família pobre e do interior do estado de Minas Gerais, fazer o mestrado e hoje cursar o doutorado numa instituição pública federal de ensino superior.

Mais ainda, Sr. Luiz Carlos Prates, este mesmo governo me permitiu ascender socialmente e obter estabilidade ao ampliar as instituições de ensino comprometidas com a oferta de cursos técnicos e superiores, como as Universidades e os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, numa das quais hoje sou professor efetivo. Foram inúmeros concursos e a efetivação de milhares de docentes e técnicos nestas instituições. E é exatamente sobre este aspecto que gostaria de avançar na minha discussão.

O Sr. afirma que este governo permitiu a quem “nunca tinha lido um livro” adquirir um carro através do crédito fácil. Porém, esquece-se o Sr. de mencionar que este governo “espúrio” investiu mais em educação do que qualquer outro. Este mesmo governo deu acesso às camadas mais baixas da população aos bancos das universidades e permitiu a diversos jovens estudarem e terem uma profissão ao ampliar as escolas técnicas por todo país.


Não, Sr. Luiz Carlos Prates, estas pessoas que compram carros hoje não são tão “miseráveis” e “desgraçadas” quanto o Sr. pensa. Pelo contrário, estas pessoas compreendem melhor a sociedade em que vivem e os grandes ganhos que tiveram nos últimos anos.

Não, Sr. Luiz Carlos Prates, estes indivíduos não passeiam de carro para amenizar os conflitos entre maridos e esposas. Estes indivíduos saem para celebrarem, juntos, a felicidade de uma nova vida que se constrói. Não são pessoas frustradas, pelo contrário, são indivíduos REALIZADOS. Na verdade, frustrada é a elite que sempre teve este país nas mãos e que agora não consegue aceitar que as camadas mais pobres ascendam e passem a ter acesso àquilo que era tido como exclusividadedos grupos privilegiados economicamente.

Não, Sr. Luiz Carlos Prates, os acidentes nas rodovias não acontecem por causa destes “miseráveis” e “desgraçados”. São diversos os motivos dos acidentes, entre eles, o excesso de velocidade daqueles que podem adquirir os modelos de automóveis mais luxuosos e velozes e que, mesmo com toda a tecnologia de seus carros, também não conseguem “vencer as curvas” e outras barreiras que possam aparecer – entre elas, veículos de indivíduos inocentes.

Por fim, caro Sr. Luiz Carlos Prates, gostaria de informar-lhe que consegui trocar de carro. Ainda circulo por aí, nas tão movimentadas estradas do país, com um automóvel popular, mas já mais novo e com algum conforto a mais que o primeiro. Eu, minha esposa e minhas lindas filhas estamos felizes com o nosso automóvel, com a nossa casa ainda alugada e com as viagens que podemos fazer. Espero que o Sr. reflita sobre o quão preconceituoso e desvinculado da realidade foi o seu comentário que ganhou repercussão por todo o país.

Sem mais, despeço-me aqui. Um cordial cumprimento deste homem proprietário de um humilde carro popular comprado graças ao crédito fácil com parcelas a perder de vista, mas feliz.

Guanhães/ MG, 19 de novembro de 2010.

Plínio Ferreira Guimarães

@mestrekohl

domingo, 14 de novembro de 2010

EUA: quem está por trás da ascensão do ultraconservador Tea Party

Fonte: Vermelho

“A hora do chá.” Esta frase costumava evocar mansões inglesas, reuniões de britânicos distintos ao redor de uma mesa de chá servido em xícaras de porcelana por um mordomo seguramente chamado James. Agora não.

Por Juan Gelman*, no
Página/12
Tradução: José Carlos Ruy

Agora surge na mente o Tea Party, o setor ultradireitista dos EUA, com um think-tank que difunde pensamentos muito antigos. Denomina-se Liberty Central (LC) e, para honrar seu nome, promove com orgulho a intolerância, o racismo, a rejeição ao aborto e aos casamentos gays.

É dirigido por Ginni Thomas, esposa do juiz Clarence Thomas, membro da Suprema Corte, e abriga 54 “agrupamentos amigos”, entre eles a ultracatólica Tradição, Família e Propriedade (TFP), uma réplica independente da TFP fundada em 1960, em São Paulo (Brasil) pelo político, jornalista e escritor Plínio Correa de Oliveira.

Plínio odiava a Revolução Francesa, o protestantismo, o catolicismo liberal, o marxismo, claro, e acreditava que a Inquisição espanhola foi a “mais bela página da história da Igreja” porque, enquanto durou, “a Igreja Católica foi expurgada de hereges”.

A TFP americana não fica atrás: em sua lista de amigos figuram Proprietários de Armas dos EUA – organização que insiste em que cada cidadão estadunidense deve ter sua metralhadora ou ao menos um revólver – Projeto de Soberania de Missouri – que propugna a insurreição armada para derrubar o governo – e 52 outros aderentes. Sempre esteve vinculada com a direita mais radical, incluindo a Fundação Internacional pela Liberdade (IFF, na sigla em inglês).

A IFF foi criada nos anos Reagan e é conhecida sobretudo pelo apoio ao regime de apartheid na África do Sul. Mas seu ativismo ocupou outras frentes. Segundo o pesquisador Richard Bartholomew, “a TFP teve um papel no golpe de estado brasileiro de 1964 e há indícios de que, no Uruguai, recebeu explosivos do agregado militar da embaixada do Brasil para atacar lugares onde os comunistas se reuniam. O diretor da revista chilena da TFP, Jaime Guzmán, se tornou um dos ideólogos do regime de Pinochet” (//barthnotes.wordpress.com, 25-2-08). A homônima argentina foi criada por Mario Amadeo e seu líder mais famoso foi Cosme Beccar Varela.

A TFP/EUA se dedica, entre outras coisas, a recrutar jovens mediante práticas curiosas como as militares da Idade Média. Em julho passado promoveu um “chamado à fidalguia cavalheiresca” em um acampamento na Louisiana. Segundo a página eletrônica do grupo, “foram ensinadas algumas técnicas novas como o uso da lança e a ARQUERIA medieval.

Os combates com espadas de UTILERÍA tiveram grande êxito, assim como as simulações de guerra no bosqaue tropical que rodeia a propriedade” (www.tfpstudentaction.org , 18-7-10). Não fica claro se estes exercícios são brutais nem se especifica o número de braços e pernas quebrados durante sua realização.

O Tea Party se apresenta como um movimento popular, mas não se conheceria seu súbito sucesso sem as fortunas do bilionário do petróleo David H. Koch ou de Rupert Murdoch, dono do extenso império midiático News Corporation, que controla o grupo de canais Fox e Sky, os jornais diários The Wall Street Journal, The Sun, Times e apoiaram a uns 150 candidatos de extrema direita na recente eleição americana.

Todos eles se opõem ao aborto, alguns até em casos de estupro. Querem sobretudo uma política mais dura em todos os planos, mais liberdade de mercado, menos impostos, diminuição dos poderes do governo e do orçamento federal. Sharron Angle, uma dessas candidatas, exigiu a extinção do Departamento de Educação (como se chama o Ministério de Educação nos EUA) e do Organismo de Proteção Ambiental.

O apoio do Tea Party aos candidatos não foi só midiático. Koch, dono de uma fortuna pessoal de US$ 3,6 bilhões e dono com seu irmão Charles do megapolio Koch Industries, com faturamento anual estimado em 100 bilhões de dólares (www.newyorker.com, 30-8-10), destinou enormes somas de dinheiro, através da fundação Americans for Prosperity, que preside, e da Freedom Works que financia, para alimentar as campanhas eleitorais dos candidatos do Tea Party. Todos estão sob a bandeira republicana e pode-se imaginar que fazem parte de uma luta interna pelo controle do partido.

O ex-juiz e pastor da igreja New Millenium de Little Rock, Wendell Griffen, definiu assim a ideologia do Tea Party: seu “patriotismo” consiste em “um ataque constante à ideia de que os EUA acolham pessoas de qualquer nacionalidade, crença e origem étnica”; seu supremacismo branco subliminar é um velho câncer do país, nunca eliminado porque em todas as épocas da história dos EUA os políticos o usaram para ganhar o apoio da maioria branca” (ethicsdaily.com, 1-11-10). As crises econômicas dão origem, às vezes, a expressões de movimentos populistas, e nem todos são de esquerda!

* Juan Gelman é poeta e jornalista argentino

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Ivan Valente discursa contra o preconceito aos nordestinos

Ivan Valente repudia o preconceito contra nordestinos

10/11/2010 – 20:06




Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados,

Como paulista, me sinto no dever de subir a esta tribuna para manifestar toda a minha solidariedade ao povo nordestino e meu mais profundo repúdio às manifestações de preconceito que pessoas nascidas em meu estado tem manifestado nas últimas semanas, nos mais diferentes espaços e redes sociais da internet, em relação a brasileiros e irmãos que vieram do Nordeste e constroem São Paulo.

O “movimento”, como todos devem ter acompanhado, começou pelo twitter logo após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais. Foi provocado por essa conjuntura, inclusive de maneira totalmente equivocada, porque a candidata do PT venceu não só no Nordeste, mas em Minas, no Rio de Janeiro, em vários estados. Mas sem dúvida é algo que reflete um preconceito historicamente construído em nosso estado, principalmente na capital São Paulo, onde há muito tempo manifestações racistas e de preconceito étnico, regional e de orientação sexual vem sendo tratadas com “naturalidade”, ganhando inclusive pouca visibilidade dos meios de comunicação.

Em cenários como este, a discriminação racial é banalizada e deixa o caminho aberto para incitações à violência e ao ódio de classe, como a praticada pela estudante de direito Mayara Petruso. Como o caso ganhou alguma visibilidade, Mayara agora pode ser processada, mas são incontáveis e cotidianas manifestações desta ordem, que se perpetuam diante da omissão do Estado e da conivência da uma significativa parcela da população paulista.

A gravidade da situação é tamanha que estes cidadãos se sentem à vontade, sem qualquer pudor, para aprofundar seu preconceito e propor ações que beiram ao fascismo. É o caso do grotesco manifesto “São Paulo para os paulistas”, que já conta com milhares de assinaturas na internet. Para seus autores e signatários, então entre as responsabilidades da migração dos nordestinos para São Paulo a alta criminalidade e os hospitais superlotados em nosso estado. São incapazes de enxergar a brutal desigualdade social em nosso país, que força milhares de famílias a deixarem o pouco que tem para traz em busca de alguma dignidade. Tampouco enxergam essa mesma desigualdade como a raiz da violência em todo o Brasil – e não apenas em São Paulo.

O manifesto propõe barbaridades como:

– restringir o acesso a serviços públicos como saúde e educação a pessoas que comprovem residência e trabalho fixo no Estado de S Paulo há pelo menos dois anos.

– acabar com a cobrança de taxas diferenciadas de água, luz e IPTU nas favelas.

– suspender a distribuição de medicamentos gratuitos, de auxílio-aluguel, do programa mãe-paulistana, de quaisquer “bolsas por número de filhos”, de entrega de “casas populares”, de acesso ao “leve-leite”, de entrega de uniforme, material e transporte escolar, de cestas básicas.

– proibir totalmente qualquer tipo de “comércio ilegal”, com apreensão e prisão em caso de reincindência.
E justificam: “São Paulo deve cuidar dos SEUS pobres”.

Atitudes como esta requerem uma resposta enérgica da sociedade, sob o risco de perpetuarmos um terreno fértil para o florescimento da xenofobia e aprofundamento do preconceito étnico-racial e regional em São Paulo, já tão arraigado entre a elite paulista.

A prática de racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito a prisão, previsto pela Lei 7.716 de 1989. A lei define como crime de racismo não apenas a prática, mas também a indução ou incitação à discriminação ou preconceito, e estabelece um agravante se esses crimes são cometidos por intermédio dos meios de comunicação.

O Ministério Público Federal em São Paulo já recebeu representação para apuração do caso, envolvendo denúncia contra 94 pessoas, e a política está investigando de quem é a responsabilidade pelo manifesto. São iniciativas importantes para, desta vez, não nos calarmos novamente e, assim, darmos mais um passo no sentido de reverter essa brutal violação de direitos fundamentais.

E que o exemplo do que agora se passa em São Paulo também sirva para despertar uma reflexão em todo o país sobre os inúmeros preconceitos regionais que nossa nação ainda presencia. Por isso, Sr. Presidente, aqui está a nossa solidariedade ao povo nordestino e por um Brasil sem nenhum tipo de preconceito ou discriminação, um Brasil democrático, soberano, igualitário, com justiça social. Abaixo o racismo e o preconceito.

Muito obrigado.

Ivan Valente – Deputado Federal PSOL/SP