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sábado, 15 de outubro de 2011

Portal IG: Pior Salário de Professor é o de Minas Gerais

Segundo matéria publicada hoje no Portal IG, Os Professores Mineiros não tem muito o que comemorar. Embora a dupla Aécio/ Anastasia divulgue em suas matérias compradas na mídia, dizendo que já pagam o Piso nacional do Professor, não passa de uma falácia como comprova a reportagem abaixo.


Maioria dos Estados não cumpre lei do piso nacional para professor

Levantamento do iG mostra que nove ainda não pagam salário base estabelecido e 16 não preveem tempo mínimo fora da sala de aula

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 15/10/2011 00:00

A tão falada valorização dos professores ainda não chegou ao patamar mínimo exigido por lei na maior parte do Brasil. Levantamento realizado pelo iG mostra que a maioria das redes estaduais não garante aos homenageados deste 15 de outubro a remuneração e a condição de trabalho prevista na lei 11.738, que já completou quatro aniversários e foi confirmada até no Supremo Tribunal Federal.

Das 27 unidades da federação, apenas Acre, Rondônia, Paraíba, Sergipe, Mato Grosso e Espírito Santo cumprem a legislação em vigor. Nove Estados ainda pagam salário base menor do que os R$ 1.187 previstos no piso e pelo menos 16 preveem menos de um terço da carga horária para formação, reuniões e preparo de aulas – apontados como a grande ferramenta para melhorar a qualidade do professor e da educação no País.

“
É preciso parar de falar em valorização e fazer o mínimo que já está estabelecido"
O pior piso é o de Minas Gerais, que deve mudar após 112 dias de greve. Atualmente, são R$ 369,89 por uma carga horária de 24 horas. Feita a equivalência para a carga horária de 40 horas, usada para o piso nacional, o valor seria de 616,48.

A base vale para os professores leigos, como são chamados os profissionais contratados que não têm formação superior. Com exceção do Distrito Federal e do Amapá, todas as outras unidades da federação ainda contam com mestres que estudaram apenas até o ensino médio.

=> Siga o iG Educação no twitter e receba notícias sobre a carreira de professor no Brasil
Outra parte da legislação ainda menos seguida pelas redes estaduais é a previsão de um terço da carga horária remunerada para o professor atuar fora da sala de aula. A situação é prevista na lei do piso por conta do entendimento de especialistas de que não é possível dar aula sem antes prepará-la e depois avaliar os resultados. O Supremo Tribunal Federal julgou que a previsão é constitucional e necessária, mas 16 Estados não cumprem e outros três não informaram se há reserva.

No Ceará - que não por acaso viveu a segunda maior greve de professores do País este ano atrás apenas dos mineiros - os professores têm zero de tempo para preparo de aula. A paralisação levou à promessa do governo de mudança, mas a nova proposta ainda está em elaboração.

Veja abaixo a lista completa com os dados de cada Estado:

Unidade da Federação Piso para leigos
(R$)*
Piso para licenciados (R$)* Porcentual de carga horária reservada para preparo do professor
Região norte      
amazonas 663,09 1.807,52 25%
acre 1.187,97 1.759,58 33%
amapá não existe 1.053,00 40%
pará 1.120,00 1.332,00 não informado
Rondônia 1.187,91 1.380,00 40%
roraima 2.080,00 2.880,00 12%
tocantins 1.239,31 2.854,51 não informado
região nordeste      
alagoas 1.187,97 2.031,42 25%
bahia 1.105,56 1.385,98 33%
ceará 739,84 1.327,00 0%
Paraíba 1.234,66 1.481,86 33%
pernambuco 1.187 1.247,00 30%
piauí 1.187,97 1.418,15 30%
rio grande do norte 1.187,00 1.187,00 17%
maranhão 854,98 1.056,76 20%
sergipe 1.187,97 1.663,16 38%
região centro-oeste      
distrito federal  não existe 2.162,87  25%
 goiás 1.006,00  1.525,18 não informado
 mato grosso 1.664,90  2.497,36  33%
 mato grosso do sul  1.193,40 1.988,88  10%
 região sudeste      
 são paulo 1.894,12 1.988,83 17%
 minas gerais 616,48 917,56 25%
 espírito santo  1.187,97 2.793,06  32%
 rio de janeiro 1.333,07 2.194,77 25%
 região sul      
 paraná 1.189,97 1.699,96  20%
 santa catarina  1.187,00  1.380,00 20%
 rio grande do sul 862,80  1.463,48  20%

*valores para carga horária de 40 horas. Nos locais onde não há esta carga horária foi feita a equivalência para permitir a comparação com o piso nacional 

Fonte: secretarias de Estado da Educação e sindicatos de professores



Foto: Amana Salles/Fotoarena
Joice acha o aprendizado dos alunos gratificante, mas reclama da demora para o professor ser bem remunerado

A professora Clélia Brandão, conselheira da Câmara de Educação Básica, ressalta que sem a carga horária remunerada à parte das aulas, os docentes buscam remuneração em mais empregos, correm de uma escola para outra e não têm tempo para pensar no trabalho que fazem. “Acho que o Brasil é o único lugar do mundo em que professor trabalha em tantas escolas. É preciso parar de falar em valorização e fazer o mínimo que já está estabelecido.”

O Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) pede ao governo federal ajuda para cumprir a lei. Em nota, a presidente do órgão e secretária do Mato Grosso do Sul, Maria Nilene Badeca da Costa, afirmou que “nenhum secretário estadual de educação é contra o piso do magistério. Ao contrário. Todos consideram que o piso valoriza os profissionais e, por consequência, reflete na melhoria da qualidade da educação”.

“No entanto, são 27 diferentes realidades”, continua ela. “O principal entrave é o orçamentário. Há situações em que praticamente todos os recursos para a educação já estão comprometidos com a folha de pagamento e a questão de Lei de Responsabilidade Fiscal, que precisa ser observada pelos entes federados. O Consed entende que a União deveria viabilizar maior aporte de recursos para a educação.”
Ela aponta a desigualdade na divisão do investimentos. “Do montante nacional investido em educação - correspondente a 5% do PIB - 80% são responsabilidade de Estados e municípios. Já o governo federal, que arrecada 60% de todos os impostos no País, colabora com apenas 20% do total”, diz.

Os Estados com maior piso para professor são Roraima e Tocantins, o primeiro reserva apenas 12% da carga para que o professor prepare as aulas e faça reuniões, no segundo a Secretaria Estadual de Educação recusou a informação pública.
* com colaboração de Daniel Aderaldo, iG Ceará, Denise Motta, iG Minas Gerais e Wilson Lima, iG Maranhão

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Professora Amanda Gurgel cala a boca de Secretária de Educação e Deputados do RN

Coicidentemente, essa fala "lavou a alma" de quase a totallidade dos Professores que atuam nas redes públicas minicipais e estaduais.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Anastasia e suas investidas na desvalorização da Educação Pública

Anastasia, antes agente do governo Aécio e hoje Governador de MG, contribuiu e continua suas ações para mais uma escalada na tentativa de desvaloriação da escola pública e dos Profissionais que nela atuam.

Entre as metas para seu primeiro ano de governo, está a criação do Professor da Família. O que podemos entender desse projeto? Ainda não foi colocado no papel, pelo que sabemos, mas podemos intuir algumas hipóteses.

- O Projeto aprovado pelo governo que cria o subsídio, cria também alternativas de cargas horárias maiores. Talvez sejam usadas estas horas a mais para o Professor visitar as famílias, por exemplo.

 - Qual seria o trabalho dos Professores junto às famílias? O Professor teria de fazer visitas às mesmas? Seria caminhando, teria transporte ou o próprio Professor teria de bancar? O valor para o transporte que o governo concede hoje não dá para metade do mês.

Poderíamos fazer outras indagações, mas ficamos com estas.

O Projeto do Anastasia/Aécio/PSDB não passa de incenação para dizer que estão mudando a educação em MG. A realidade é totalmente diferente. O que estes governantes querem é ridicularizarem os Professores e a Escola Pública na tentativa de ajudar a aumentar a clientela das Escolas Privadas e diminuir os gastos com a sociedade menos favorecida.

Tudo não passa de mera aplicação do Sistema Neo-liberal na Educação, um projeto falido que está mostrando suas consequências mundo a fora (Irlanda do Norte entre outros), mas que os "gestores de primeira linha do PSDB" insistem em aplicar e desestruturar o Estado em benefício das elites.

João Evilázio: PESQUISA ESTRANHA AVALIA PROFESSORES

João Evilázio Gomes

Uma pesquisa de opinião realizada recentemente pela Superintendência Regional de Ensino de Barbacena (3ª SRE), com alguns alunos da Escola Estadual Embaixador José Bonifácio, causou um clima de profundo mal-estar entre os docentes do estabelecimento e repercussão negativa no meio educacional local. As críticas não param. O método utilizado no questionário pedia para assinalar com a letra V as informações verdadeiras e com F as falsas. Mas alguns itens, além de ridículos, embolados e ininteligíveis, feriam, inclusive, certos princípios. Houve, por exemplo, abordagens como “quanto aos professores que mais atrapalham a escola”. Em outros tópicos, os alunos deveriam citar os professores que mais gostam e que não gostam.

O objetivo da pesquisa ainda é desconhecido. Os critérios aplicados também são obscuros. Os mestres confirmam que determinadas questões - totalmente sem nexo, pretensiosas, discriminatórias, injustificadas, desorganizadas, incoerentes, mal elaboradas do ponto de vista ético e pedagógico -, de certa forma, poderiam até pôr os estudantes numa situação delicada ante seus professores.

O fato é Lamentável.

www.redatorjoaoevilazio.blogspot.com

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A morte da Educação

André Acioli e Augusto Uchôa*

No Boteco do Conhecimento

A notícia da morte de um professor universitário por aluno, em Belo Horizonte, me motivou a escrever este artigo. Um assunto complexo que é debatido entre os professores em encontros extraclasse. Creio que posso falar sobre o tema com certa imparcialidade, pois sempre fui aluno, sou aluno e há alguns anos, atuo também como professor.

Percebo um processo crescente de agressão a professores. Tenho visto que a ideia de aluno-cliente parece ter atingido seu ponto máximo de deturpação. A visão tornou-se distorcida talvez em função da linha tênue que separa os dois conceitos desta relação. Percebo uma cobrança máxima do professor pelos alunos e uma dedicação mínima por boa parte dos últimos.

Diferente de outros serviços, onde cada um tem plena noção do que pode e deve fazer no seu papel de cliente, bem como sabe até onde pode exigir do prestador, a sala de aula não funciona bem assim. A literatura de serviços diz que os clientes possuem papeis a serem seguidos e, eventualmente, quando tais papeis não são exercidos como deveriam, tornam-se indesejados.  Ou numa situação inversa, o cliente ao se deparar com incidentes críticos, como encontro de serviços insatisfatórios, muda-se para a concorrência. Simples assim.

Se em meio à comercialização de bens, onde a interação entre vendedor e comprador é menor, isto já acontece, em serviços, é ainda pior. Uma influência negativa ou fora dos padrões apropriados para a boa relação entre as partes pode alterar a expectativa e a entrega de qualquer serviço como um todo; prejudicando os clientes que não têm nada a ver com isto.

O caso do assassinato é o ápice do extremismo e deve nos fazer refletir sobre o modelo educacional mercantilista ao extremo, que alguns insistem em adotar. Numa visão prática deste extremo, convivo com professores que desenvolveram traumas de entrar em salas de aula e questionam seu amor em lecionar por conta desta relação, muitas vezes perversa, entre professores e alunos. Docentes que temem não agradar seus “clientes” e serem punidos – como já vi em algumas situações – por seus empregadores.

No setor de serviços, são os clientes os principais avaliadores do desempenho. Valho-me das palavras de um grande amigo que diz: “ser professor é uma das profissões mais difíceis do mundo, pois em poucas carreiras existem tantas avaliações por um número tão grande de pessoas”. Esta condição é para quem, realmente, ama exercer a docência; para mim, tão nobre quanto desgastante.

Lembro-me de muitos casos de agressão física a professores e não me recordo de ter visto tantos em outros modelos de prestação de serviços. Na classe médica, por exemplo, em que o marketing de serviços é classificado como mero serviço profissional e que tem na saúde o seu serviço núcleo, a possibilidade de insatisfação do “cliente” me parece bem mais crítica do que na educação. Não seria?

Minha proposta não é tomar partido em defesa dos professores ou da generalização dos maus exemplos de alunos; trata-se apenas do desabafo de uma pessoa que se posta diariamente à frente de dezenas de alunos, para oferecer-lhes os anos de experiência e estudos, e que tem sofrido, mais do que com a morte do colega, com a morte da Educação.

Como aluno, vale lembrar que não sou a favor de professores que não gostam de alunos, que não se reciclam, que se fecham para novas metodologias de ensino e se acham acima do bem e do mal. Rejeito os “senhores da verdade” que esqueceram que o binômio ensino-aprendizado é uma via de mão dupla. Ensinar a aprender é um processo de autoalimentação, pois para gerar o conhecimento em debates ricos que nos fazem pensar, refletir e questionar, são necessários mais do que um personagem.

Por fim, vale ressaltar que parte de nós também morre com o assassinato do professor em BH.  A relação professor-aluno sempre foi vista como sinônimo de vida; meus melhores amigos, meus ícones e minhas referências do que existe de melhor no ser humano vieram das salas de aulas, daquele local “sagrado”, onde as pessoas desenvolvem as próprias essências. Como é sabido, o mundo evoluiu com a Educação; não com a guerra.

*André Acioli é administrador, mestre pelo Coppead-UFRJ, consultor de empresas, professor universitário na Mackenzie Rio e Chef fundador do Boteco do Conhecimento.

* Augusto Uchôa é formado em marketing, doutorando da Coppe-UFRJ, consultor de empresas, roteirista, professor universitário, criador do site Marketing com Fritas e Chef fundador do Boteco do Conhecimento.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Igor Pantuzza Wildmann: J’ACUSE !!!


(Eu acuso !)

(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes) 
« Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice. (Émile Zola)
Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...) (Émile Zola 
Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).
A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.
O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.
Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de  convivência supostamente democrática.
No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...
E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”
Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...
Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.
Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.
Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:
EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;
EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;
EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;
EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;
EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;
EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;
EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;
EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;
EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;
EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e  do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;
EU ACUSO os  “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,
EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;
EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.
EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;
EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;
Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.
Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.

A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.
Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.
  
Igor Pantuzza Wildmann
Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.


 "Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo..., mas posso fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso."



domingo, 14 de novembro de 2010

Combate à violência na escola precisa envolver comunidade, aponta promotora de justiça

Publicado em 14/11/2010, 10:02


São Paulo - Para a promotora de Justiça da Infância e Juventude de São Bernardo do Campo (SP), Vera Lúcia Acayaba de Toledo, o combate à violência nas escolas exige políticas públicas integradas para auxiliar professores e famílias a lidarem com o problema. Ela vê os educadores e diretores como principal alvo de críticas pelo cenário, que precisaria ser tratado por outras partes, incluindo o poder público.

"É preciso uma força-tarefa para amparar educadores, porque a responsabilidade não é só das escolas. De acordo com a Constituição Federal, a responsabilidade também é do poder público, da sociedade e da família", enfoca a promotora. "É comum culpabilizar a escola. Existe corresponsabilidade entre todos", destaca.

No dia a dia da Promotoria, Vera constatou o crescimento do número de ocorrências em que estudantes cometiam infrações. "O retorno da Justiça estava sendo ineficaz, porque estava havendo muitos casos de reincidência e as medidas socioeducativas não estavam proporcionando um retorno adequado", diagnostica a promotora de justiça.

O quadro de crescente violência levou a promotora a instaurar um inquérito civil em agosto de 2007. A partir da iniciativa, Vera convidou representantes de órgãos públicos, da sociedade civil, universidades e de entidades do setor privado para discutir o problema e elaborar um projeto de enfrentamento da violência.

Com o apoio de organizações públicas e privadas do município, em dezembro de 2007, a Promotoria de Justiça da Infância e Juventude deu início a uma força-tarefa para combater a violência em escolas públicas de São Bernardo do Campo, chamada de "Parceria na construção de uma cultura de paz no ambiente escolar".

Uma das vertentes da parceria foi estabelecer um fluxo de ações para as escolas saberem como agir e como encaminhar alunos para o programa. "A finalidade é a busca da origem da prática de ato infracional, porquê ocorre a violência e o encaminhamento do aluno para uma equipe multidisciplinar", descreve Vera.

Programa

Os alunos, que se envolvem em atos infracionais considerados leves, deixaram de ser encaminhados à Delegacia de Polícia para registro de Boletim de Ocorrência e serem submetidos a medidas socioeducativas. São incluídos apenas os estudantes que praticam atos considerados menos graves, como lesão corporal de pequeno potencial ofensivo contra outro aluno.

Estudantes nessa situação passaram a ser encaminhados para uma rede de atendimento da prefeitura, onde recebem atendimento de uma equipe multidisciplinar que envolve diversas áreas do poder público.

Na rede, os alunos passam por análise psicossocial familiar e profissionais especializados buscam as causas que levaram o jovem à violência. "A equipe multidiscplinar vai enfrentar a questão e tratar o aluno em família. Além de inseri-lo em atividades culturais e recreativas", indica Vera.

Em três anos, surgem resultados como redução de procedimentos por ato infracional na Vara da Infância, informa a promotora de justiça. A longo prazo, ela acredita que haverá uma recuperação do respeito ao professor. A meta é reduzir a violência nas escolas no município em 40%. Em dezembro de 2011, a Promotoria vai elaborar um diagnóstico final da atuação.

O sucesso da iniciativa levou o conjunto de órgãos públicos e entidades a elaborarem o livro "Uma nova aquarela: desenhando políticas públicas integradas para o enfrentamento da violência escolar em São Bernardo do Campo", lançado nesta sexta-feira. A publicação é acompanhada por dois vídeos que transportam para a linguagem visual a proposta do livro.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Aluno quebra os braços e 6 dentes de professora no RS




São Paulo - Uma professora de uma escola técnica em Porto Alegre (RS) teve os dois braços e seis dentes quebrados após ser espancada por um aluno do curso de enfermagem que ficou revoltado por ter tirado uma nota baixa. O caso ocorreu na última terça-feira.

Após tomar conhecimento de sua nota, o rapaz utilizou uma cadeira de ferro para agredir a professora, de 57 anos. Os braços dela foram atingidos no momento em que tentou se defender. Mesmo depois de ela ter desmaiado, o estudante, que é instrutor de artes marciais, desferiu socos e chutes, quebrando os dentes da professora. Ao perceber a chegada de duas professoras, o aluno decidiu fugir.

O delegado Fernando Soares, que investiga o caso, disse que um segurança e o porteiro do prédio ainda tentaram deter o agressor mas não conseguiram. O estudante, de 25 anos, ainda não foi localizado pela polícia.